Em Abril de 2014 encontrei este artigo e, a partir desse dia, a minha vida mudou! É longo mas vale a pena e é fim-de-semana 🙂

A questão relevante sobre o grito

Share Tweet Pin Post, Rachel Macy Stafford
Mar 24, 2014   |

No meio das distrações da minha vida, comecei uma nova prática muito
diferente da forma como eu havia me comportado até aquele ponto. Eu me
tornei uma mãe que gritava.
Eu amo os bilhetes que recebo de meus filhos – sejam eles apenas rabiscos em
uma folha amarela ou escritos em caligrafia perfeita e papel alinhado. Mas o
poema do Dia das Mães que recentemente recebi da minha filha de 9 anos de
idade foi especialmente significativo. Na verdade, a primeira linha do poema
prendeu minha respiração e lágrimas quentes deslizaram pelo meu rosto.

“A coisa mais importante que eu posso dizer sobre a minha mãe é… que ela
está sempre pronta a me apoiar, mesmo quando eu estou em apuros.”

Mas nem sempre foi assim.

Em meio às distrações da minha vida, comecei uma nova prática muito
diferente da forma como eu havia me comportado até aquele ponto. Eu me
tornei uma mãe que gritava. Não era sempre, mas era intenso – como um balão
extremamente inflado que fazia com que todos ao alcance da minha voz se
sobressaltassem com medo.

Então, como minhas meninas, na época com 3 e 6 anos de idade, me fizeram
começar com isso? Foi no modo como uma insistia em correr para buscar mais
três colares de contas e os seus óculos de sol rosa favoritos quando já
estávamos atrasados? Foi na maneira como a outra tentou servir-se sozinha de
cereal e derramou a caixa inteira no balcão da cozinha? Foi quando uma delas
caiu e quebrou o meu anjo de vidro especial no piso de madeira depois de ter
sido avisada para não tocá-lo? Foi por que elas lutavam contra o sono quando
eu precisava de um pouco mais de paz e tranquilidade? Ou foi quando brigavam
por coisas ridículas como quem seria o primeiro a sair do carro ou quem tem
o maior sorvete?

Sim, eram esses percalços normais, questões e atitudes típicas de crianças
que me irritavam a ponto de perder o controle.

Isso não é algo fácil de escrever. E também não foi um momento fácil na
minha vida para reviver, porque verdade seja dita, eu me odiava nesses
momentos. O que acontecia comigo para que precisasse gritar com as duas
pequenas e preciosas pessoas que eu amo mais do que a vida?

Deixe-me dizer-lhe o que tinha acontecido comigo.

Distrações

O uso excessivo do telefone, a sobrecarga de compromissos, várias páginas de
listas de tarefas, e a busca da perfeição me consumiam. E gritar com as
pessoas que eu amava era um resultado direto da perda de controle que eu
estava sentindo na minha vida.

Inevitavelmente, acabaria por desmoronar em algum lugar. Então eu desmoronei
a portas fechadas na companhia das pessoas que mais significam para mim.

Até um dia fatídico.

Minha filha mais velha subiu em um banquinho e foi atingida por algo que
caiu na despensa e ela acidentalmente entornou um saco inteiro de arroz no
chão. Com um milhão de minúsculos grãos no chão parecidos com a chuva, os
olhos de minha filha se encheram de lágrimas. E foi aí que eu vi – o medo em
seus olhos quando ela se preparou para o discurso de sua mãe.

Ela está com medo de mim, eu pensei, com a conscientização mais dolorosa que
se possa imaginar. Minha filha de seis anos de idade está com medo da minha
reação ao seu erro inocente.

Com profunda tristeza, percebi que eu não era o tipo de mãe que eu queria
para meus filhos conviverem e nem era assim que eu queria viver o resto da
minha vida.

Dentro de algumas semanas depois desse episódio, eu tive meu momento de
colapso e ruptura – foi a conscientização dolorosa que me impulsionou à
jornada do Hands Free. Chegara a hora de deixar ir a distração e entender o
que realmente importava. Isso foi há dois anos e meio atrás – dois anos e
meio de lenta batalha para diminuir a distração e excesso de eletrônicos na
minha vida… Dois anos e meio para me livrar do padrão inatingível de
perfeição e da pressão da sociedade para “fazer tudo”. Ao deixar de lado
minhas distrações internas e externas, a raiva e o estresse reprimidos
dentro de mim lentamente se dissiparam. Com nova clareza eu era capaz de
reagir aos erros e às injustiças de minhas filhas de uma forma mais calma,
compassiva e razoável.

Comecei a dizer coisas como: “É apenas xarope de chocolate. É só limpar e a
bancada ficará tão boa como se fosse nova.”

(Mudei do suspiro exasperado e revirar de olhos para uma boa atitude).

Eu me ofereci para ajudar com a vassoura enquanto ela varria um mar de
flocos de cereais que cobriam o chão.

(Em vez de pular em cima dela com um olhar de desaprovação e aborrecimento
total).

Eu a ajudei a pensar por onde ela poderia ter deixado seus óculos.

(Em vez de envergonhá-la por ser tão irresponsável).

E nos momentos em que a total exaustão e o choramingar incessante estavam
prestes a me derrubar, eu entrava no banheiro, fechava a porta, e dava a mim
mesma um momento para esfriar a cabeça e me lembrar que elas são crianças e
as crianças cometem erros. Assim como eu.

E ao longo do tempo, o medo que uma vez brilhou nos olhos de minhas filhas
quando estavam com problemas desapareceu. E graças a Deus, eu me tornei um
refúgio em seus momentos de dificuldade, em vez de o inimigo do qual queriam
correr e se esconder.

Não estou certa de que eu teria pensado em escrever sobre esta profunda
transformação, não fosse pelo incidente que aconteceu na tarde da última
segunda-feira. Naquele momento, senti o gosto da vida sendo esmagada e a
vontade de gritar estava na ponta da minha língua. Eu estava chegando aos
capítulos finais do livro que estou escrevendo atualmente e meu computador
travou. De repente, as edições de três capítulos inteiros desapareceram na
frente dos meus olhos. Passei vários minutos tentando freneticamente
reverter para a versão mais recente do manuscrito. Quando isso não
funcionou, eu consultei o backup da máquina, apenas para descobrir que ele,
também, havia dado erro. Quando eu percebi que nunca iria recuperar o
trabalho que fiz nesses três capítulos, eu queria chorar, mas mais ainda,
queria sentir e extravasar a raiva.

Mas eu não podia porque era hora de pegar as crianças na escola e levá-las
para o treino de natação em equipe. Com grande contenção, eu calmamente
fechei meu laptop e me lembrei que poderia haver problemas muito piores do
que reescrever esses capítulos. Então eu disse a mim mesma que não havia
absolutamente nada que eu pudesse fazer sobre esse problema naquele momento.

Quando minhas filhas entraram no carro, elas imediatamente perceberam que
algo estava errado. “O que há de errado, mamãe?”. Elas perguntaram em
uníssono depois de vislumbrarem meu rosto pálido.

Eu queria gritar: “Eu perdi três valiosos dias de trabalho no meu livro!”

Eu tinha vontade de bater no volante com os punhos, porque sentada no carro
era o último lugar que eu queria estar naquele momento. Eu queria ir para
casa e corrigir os meus livros – e não transportar crianças para a natação,
torcer roupas de banho molhadas, pentear cabelos emaranhados, fazer o
jantar, lavar a louça e pôr crianças na cama.

Mas ao invés disso, eu calmamente disse: “Eu estou tendo um pouco de
dificuldade para falar agora. Eu perdi parte do meu livro. E eu não quero
falar, porque eu me sinto muito frustrada.”

“Sentimos muito”, disse a mais velha por ambas. E então, como se soubessem
que eu precisava de espaço, elas ficaram quietas todo o caminho até a
piscina. As crianças e eu cumprimos o nosso dia e, embora eu estivesse mais
calma do que o habitual, não precisei gritar e tentei o meu melhor para
abster-me de pensar sobre o assunto do livro.

Finalmente, o dia estava quase terminando. Eu tinha colocado minha filha
mais nova na cama e estava deitada ao lado de minha filha mais velha para
nosso momento noturno de bater papo.

“Você acha que vai conseguir seus capítulos de volta?”. A minha filha
perguntou em voz baixa.

E foi aí que eu comecei a chorar – não tanto pelos três capítulos, eu sabia
que eles poderiam ser reescritos – o meu choro era mais um extravasamento,
devido ao cansaço e frustração envolvidos em escrever e editar um livro. Eu
estava tão perto do fim. E de repente ter arrancado de mim meu trabalho, foi
algo extremamente decepcionante.

Para minha surpresa, minha filha estendeu a mão e acariciou meu cabelo
suavemente. Ela disse palavras reconfortantes como: “Os computadores podem
ser muito frustrantes”, e “Eu poderia dar uma olhada na máquina para ver se
consigo consertar o backup.” E então, finalmente, “Mãe, você pode refazer o
que perdeu. Você é a melhor escritora que eu conheço”, e “Eu vou ajudar no
que puder.”

No meu momento difícil, problemático, lá estava ela, uma paciente e
compassiva incentivadora que não pensaria em me chutar quando eu já estava
para baixo.

Minha filha não teria aprendido essa resposta empática se eu tivesse
permanecido no hábito de gritar. Porque quando se grita, desliga-se o canal
de comunicação, que por sua vez rompe o vínculo e afasta as pessoas – em vez
de aproximar.

“A coisa mais importante… É que a minha mãe está sempre pronta a me
apoiar, mesmo quando eu estou em apuros”.

Minha filha escreveu isso sobre mim, a mulher que passou por um período
difícil, do qual não se orgulha, mas que a ajudou a aprender. E nas palavras
da minha filha, eu vejo esperança para os outros.

A coisa mais importante… É que não é tarde demais para parar de gritar.

A coisa mais importante… É o perdão das crianças, especialmente se elas
veem a pessoa que amam tentando mudar.

A coisa mais importante… É que a vida é muito curta para se chatear com
cereal derramado e sapatos fora do lugar.

A coisa mais importante… É que não importa o que aconteceu ontem, hoje é
um novo dia.

Hoje podemos escolher uma resposta pacífica.

E ao fazê-lo, podemos ensinar aos nossos filhos que a paz constrói pontes –
pontes pelas quais podemos atravessar com segurança por sobre tempos
difíceis.

 

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One thought on “Este mudou-me por dentro…vamos ver a vocês :-)

  1. Nem sabes o que me lembro deste POST, enviaste para o grupo das tuas amigas por mail, sera que foi em 2014!!!??? MEUS DEUS como o tempo passa, vou pensar que foi à uns dias;-)…mas ainda não consegui por em prática, também eu tenho 2 crianças de 3 e outrode quase, quase 8 anos… e grito tantas e tantas vezes, muitas mais do que desejaria…mas estou a tentar, mesmo… obrigada por partilhares connosco…Sónia

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