Ontem, depois de conversar com uma amiga, vim para casa a pensar o que tenho aprendido com as minhas filhas, especialmente com a mais velha, pois é com ela que vou fazendo tudo pela 1ª vez.

A nossa conversa foi sobre a  escola, como estava a correr e, de repente, a minha amiga disse algo que eu repeti vezes sem conta para mim, quando a minha mais velha estava no 1º ciclo: “no 2º ano não há dúvidas, certo”? E eu dizia isto e acreditava nisto. Como podiam haver dúvidas se ela passava o dia na escola, a trabalhar pouca matéria (achava eu)? E porque é que era uma luta fazer os TPC’s?

Após 4 anos, e agora com a mais nova no 1º ano, a minha atitude mudou radicalmente. Vai fazer uma avaliação? “Querida, tu sabes tudo, tens trabalhado tudo, vê só o que queres que a mãe te ajude”. Não me sento a fazer revisões! Se sinto que ela ainda não entendeu bem é porque ainda não teve tempo. As crianças precisam de tempo…. Se ela não conseguir fazer bem agora, na próxima vai conseguir seguramente! E com a mais velha, ajudo-a a perceber a matéria (por exemplo, para História, sento-me com ela no quarto e vamos falando da matéria). Convenhamos que decorar e empinar não é a melhor forma de aprender (tirando a tabuada ;-)). E testes….nada de nervos! Vão fazer montanhas ao longo da vida! Esforcem-se, dêem o vosso melhor. Se não correu bem, o próximo vai correr melhor, com certeza! Não podem deixar que os nervos vos dominem. Medo de quê?? De falhar? A vida é isso. Cair e levantar! Baixar um pouco e levantar novamente. Crianças de 10 anos que choram horas porque tiveram um Bom? Ou de 6 que dizem que Bom não é boa nota? (eu oiço isto, não digo por dizer). Assusto-me, a sério! E a escola não é tudo! Não é! E na vida destas crianças vai ser menos do que foi na nossa. Eles vão ter que ser melhores noutras valências, com mais competências, mais interesses pessoais. Não vão ser apenas licenciados ou mestrados. Quando era da idade delas sabia que, se fosse para a Universidade, o meu futuro iria ser bom, melhor que o dos meus pais. Esta geração não! Esta geração não tem garantido que a Universidade lhe vai dar uma vida melhor que a dos pais, provavelmente não. Pela 1ª vez isto está a acontecer. E nós estamos a agir da mesma forma que os nossos pais agiram. Mas o mundo mudou! Eles têm que ter mais competências, não basta ser o melhor, ou um dos melhores, alunos.

Para mim, o lema com elas é “nunca façam aos outros o que não gostavam que vos fizessem a vocês”. Mesmo! Mais do que boas alunas quero que elas sejam bons seres humanos, que consigam ter empatia pelo outro, que ajudem, que não sejam indiferentes, que sejam capazes de falar quando vêem injustiças e que não participem nelas. Digo-lhes sempre que nunca me vou zangar por causa de uma nota menos boa, se souber que elas deram o melhor, mas se souber que foram más, que fizeram algo contra um colega ou desrespeitaram alguém…..aí vamos ter mesmo que conversar!

Pronto….e acabei de receber uma mensagem da mais velha que me faz sentir que é este o caminho! Não conseguiu ganhar um concurso numa aula e termina a mensagem a dizer “…mas não faz mal, pelo menos esforcei-me”. É isso! É mesmo isso querida!

Mas confesso que, para aqui chegar, aborreci-me muito, enervei-me e enervei-a a ela. Sem necessidade. Mas também eu estava a aprender. A aprender a dar tempo. A ajudar no que, às vezes, é tão intragável, até para nós! Ou então, é tão óbvio para nós e não conseguimos perceber que, para eles, não é! E os programas ??? são enormes…..é tudo dado a correr! E eles precisam de tempo! Tempo que muitos pais não têm, não porque não querem, mas porque a vida assim obriga. Mas às vezes temos que parar, mas parar mesmo! E pensar que isto só acontece agora, e está a acontecer, e eles precisam de nós disponíveis é agora, não é daqui a 10 ou 12 anos. Mas para isso as mães, ou pais, um dos dois, deveria poder ter um horário reduzido, ou um part-time, como tanto acontece noutros países. Não tenho a fórmula secreta para resolver esta situação dificil mas acho que devia ser uma das prioridades! Não há família, criança que aguente sair de casa para um ATL ou escola às 8h da manhã e chegar às 19h ou 20h a casa….11h ou 12h depois. Isto é vida?

TPC’s….. ia falar disto mas fica para um próximo post 🙂

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2 thoughts on “O que vou aprendendo com elas…

  1. Sem dúvida Célia! As crianças precisam de tempo!… Até para perceberem por si próprias que aquela nota menos boa (e que as entristeceu) não foi por culpa do professor que é um chato e que debita a matéria com demasiada velocidade. Foi porque naquele sábado (ou domingo) não apeteceu nada estudar e, não estudaram mesmo, apesar dos avisos da mãe!
    Tal como a moda parece ser cíclica e aquilo que se usava nos anos 70 ou 80 volta a estar na moda passados 30 ou 40 anos, também eu gostava que daqui a poucos anos as nossas crianças voltassem a ter tempo para brincar como nós tivemos. Tempo para viver a vida! Sim, porque a vida é muito mais do que livros, escola, whatsapp e i-pads!!

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    1. Eu acredito que vão ter…mas primeiro temos que sofrer na pele às consequências. .é assim! Acho que quando estas crianças forem pais vão querer uma vida diferente para os filhos. É é impossível aumentar mais os horários de trabalho, o que se pede às pessoas e a retribuição ser cada vez menor.algo vai ter que mudar.

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