Li este artigo e fiquei completamente apaixonada pela ideia!

http://observador.pt/especiais/sera-possivel-transformar-capitalismo/

Costumo pensar nestas questões porque acredito mesmo que estamos numa época de transição. Algo tem que acontecer porque este modelo de capitalismo em que vivemos colapsou. Há quantos anos só ouvimos notícias de corrupção, de especulação, no fundo vemos que aqueles que tinham tudo afinal tinham-no porque fugiam a impostos, especulavam, faziam tudo o que o comum dos mortais não faz. Pergunto-me de que serve ser milionário, ter empresas, casas, barcos, rios de dinheiro, se pagarmos o ordenado mínimo às pessoas….podem dizer-me “ao menos têm trabalho”. Têm, mas não vivem, sobrevivem! Como pode uma pessoa viver com 500€? E se tiver filhos ainda por cima? Conseguem imaginar-se? Conseguem mesmo? Se os que têm em excesso abdicassem disso em prol do bem estar dos mais desfavorecidos a sociedade não seria muito mais justa? Utopia? Sempre pensei que sim, e pouco falava do assunto porque, apesar de achar que devia ser assim, não acreditava que isso fosse possível (e até achava que olhavam para mim com olhar suspeito). Há uns dias vi uma notícia de um patrão que reduziu o seu salário e aumentou o dos colaboradores! (Uma luzinha ao fundo do túnel! afinal há pessoas que pensam como eu! E aquela pessoa tinha uma empresa saudável, a dar lucro, e pensou no bem estar dos trabalhadores! Afinal a empresa cresce, vive, dá lucro porque há uma equipa a trabalhar para que isso aconteça! E se forem trabalhar felizes não irão produzir melhor?)

http://observador.pt/2015/04/15/nesta-empresa-ninguem-recebe-menos-70-mil-dolares-ano-nome-da-felicidade/.

Na minha modesta opinião, (não sou economista, dou aulas de Contabilidade Analítica) é assim que a economia evolui. É assim que as pessoas são felizes, vão trabalhar felizes, têm qualidade de vida. Vivem, não sobrevivem!

E agora Christian Felber, economista, está a tentar transformar o capitalismo que conhecemos em economia para o bem comum. Já mais de 2.000 empresas aderiram ao conceito, em 10 países. E, na minha opinião, isto devia estar a ser debatido no ensino superior, no ensino secundário! Começar a colocar nos nossos jovens o pensamento que a solidariedade entre países tem que existir (como aconteceu depois da 2ª Guerra, em que metade da dívida da Alemanha foi perdoada por um grupo de países (Grécia incluída…..incrível, não é?)). Começar a fazê-los pensar que tudo isto só vale a pena se todos pudermos viver em condições dignas. É suposto eu ser feliz quando exploro pessoas? Eu não sei como conseguimos mudar as atitudes mas parece-me que esta nova geração, que cresceu com pais a trabalharem 10h ou mais horas por dia, a serem explorados, e que neste momento estão numa situação que não imaginavam há uns anos atrás, talvez não queira repetir a mesma receita. Parece-me que dão mais valor às coisas que realmente importam. E começam a procurar formas de vida diferentes das que nós tínhamos formatadas há 20 anos atrás. Quero mesmo acreditar que esta geração vai fazer diferente! Vai viver mais, vai ser mais feliz, vai ser menos gananciosa.

E se em vez de PIB (Produto Interno Bruto) a medida de sucesso económico  de um país passasse a ser Better life Index (OCDE), ou Happy Planet Index, ou ainda Gross National Happiness? Ou seja, o país era classificado consoante a qualidade de vida que as pessoas têm? A alegria que é capaz de gerar aos seus habitantes?

Só um excerto do artigo para aguçar a vossa curiosidade:

“O objetivo é acabar com o capitalismo?

É transformá-lo. As instituições continuariam a ser as mesmas. Nós trabalhamos com empresas, com municípios, com universidades, até trabalhamos com bancos e bolsas de valores. Estas instituições podem continuar, mas algumas devem transformar-se eticamente. Isto quer dizer que a principal orientação da empresa deixa de ser a maximização dos meios [dinheiro] e passa a ser alcançar os objetivos [melhorar a qualidade de vida].

Isto é o fundamental do modelo. De acordo com as constituições, o objetivo da economia é proporcionar uma boa vida, com qualidade, felicidade e satisfação. O dinheiro é só o meio para o alcançar. Atualmente, medimos o sucesso na economia com lucros financeiros, com o retorno sobre os investimentos e com o PIB e estes três indicadores só medem a disponibilidade dos meios, não avaliam se o objetivo é atingido. Se o objetivo é o bem comum, então temos que mudar para um produto de bem comum, para um balanço do bem comum e para uma avaliação dos investimentos à luz do bem comum.

Na Alemanha o Governo até já fez um inquérito a perguntar se queriam continuar com o PIB ou passar a utilizar uma medida mais abrangente, como as citadas acima. 67% votaram em substituir o PIB!

Quero mesmo acreditar que, se todos nos mobilizarmos em torno desta ideia, o mundo pode melhorar.

Eu só tentei fazer um resumo do artigo, que me inspirou a fazer este post. Vale a pena lerem e divulgarem! Ainda parece uma utopia, mas se todos acreditarmos e lutarmos por uma sociedade mais justa….porque não pode ser real?

Devemos isso aos nossos filhos…..este não é, actualmente, um mundo bom para se viver! But….We can (and will, hopefully) fix it!!

The gross national product does not allow for the health of our children, the quality of their education or the joy of their play. It does not include the beauty of our poetry or the strength of our marriages, the intelligence of our public debate or the integrity of our public officials. It measures neither our wit nor our courage, neither our wisdom nor our learning, neither our compassion nor our devotion to our country. It measures everything, in short, except that which makes life worthwhile. And it can tell us everything about America, except why we are proud that we are Americans.” Robert F. Kennedy (1968)

(encontrei mais este artigo, que me parece interessante, apesar de ainda não o ter lido totalmente…e já data de 2010….de há precisamente 6 anos!!!! Andamos a dormir!!!! É que este assunto não é nada consensual, principalmente para quem tem mais poder! )

 

 

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