Já quase toda a gente sabe que não vale a pena ligar depois das 18.30h/ 19h. É hora de estarmos os quatro. De banhos, de tpc’s, de jantar e de sabermos as novidades do dia-a-dia. Das 9h às 18.30 estou disponível, depois…..não! E sei que muita gente critica e acha um exagero (familia inclusive) mas eu sinto-me bem assim, sinto que é assim que devo fazer e sinto a Paz que isso traz. Quando estamos, estamos mesmo! e isso faz toda a diferença. 

E agora, num post de um blogue que eu sigo e adoro, da Rita Ferro Alvim, descobri esta crónica da Laurinda Alves, da qual deixo um pequeno excerto. Porque “eles”, os nossos filhos, não pediram para vir ao Mundo, muito menos a este mundo feito à pressa, devemos dar-lhes a atenção que merecem todos, todos os dias!

Fico contente quando encontro quem pense como eu ;-)))) 

“O respeito pelos filhos passa muito por aqui, hoje. Por lhes darmos amor, tempo e atenção, mas acima de tudo prioridade. É essencial que os filhos de todas as idades sintam que são a prioridade total e absoluta dos seus pais ou de quem os substitui. Se voltarmos a casa invariavelmente colados ao telemóvel, sem capacidade de os acolher, de os ouvir, de os ter como primeira e última prioridade, não nos podemos queixar. Acontece vezes demais sermos tentados a atender uma chamada, mesmo quando estamos com alguém que está fisicamente presente, que chegou primeiro e está a precisar da nossa atenção. Quantas vezes por dia não invertemos esta prioridade? Quantas vezes não suspendemos uma conversa porque alguém nos liga? E quantas vezes os nossos filhos não desistem de tentar ter a nossa atenção por saberem que vão ter que esperar como quem é obrigado a voltar para o fim da fila?

Está mais que estudado que nesta era da comunicação, em que estamos todos ligados e virtualmente próximos, podemos sentir-nos realmente muito distantes e viver uma solidão acompanhada, que é a pior forma de solidão. E se estes estudos estão feitos e publicados, que podemos fazer perante as conclusões? Ter mais atenção à maneira como usamos os telemóveis e apps que nos prendem a atenção, sobretudo quando nos distraem do essencial.

Neste sentido e porque o tema é o respeito que devemos aos nossos filhos, vale a pena desligar o telemóvel quando chegamos a casa, por exemplo. Ou até mesmo desligar a chamada pedindo compreensão ao interlocutor, justamente por estarmos a entrar em casa, onde temos filhos ou pais e familiares que nos esperam ao fim de um longo dia. Os filhos também se maçam nas escolas e também têm dias stressantes, não são só os pais que trabalham. E, por isso, precisam tanto dessa atenção reparadora. O mais extraordinário é perceber que só por desligarmos os telemóveis e, de certa forma, nos desligarmos do mundo para nos ligarmos só a eles, os nossos filhos ficam muito mais tranquilos e seguros. Parece magia.

Como podemos exigir respeito se nem sempre respeitamos os ritmos e as necessidades daqueles a quem pedimos esse mesmo respeito? Ser mais velho não é estatuto nem garante autoridade. Ter supremacia física também não é argumento, e passar o tempo a dizer ‘sim porque sim!’ ou ‘não porque não e porque sou eu que mando!’ também não é modo de vida. Assim sendo, há pequenos gestos que fazem toda a diferença e um deles é este de dar a prioridade absoluta aos nossos. Por incrível que pareça, se começarmos a desligar ou a não atender telefonemas nas horas mais críticas como o fim do dia, quando voltamos a casa, durante as refeições e nas horas de estudo, bem como ao deitar, os nossos filhos (e os nossos pais, mulheres, maridos e todos os que vivem connosco!) agradecem e mudam. Uns deixam imediatamente de fazer birras, pois passados 10 ou 15’ da nossa atenção, desligam naturalmente e vão brincar ou fazer outras coisas. Outros passam a viver com a certeza de que são ouvidos e atendidos. Outros, ainda, assumem que são realmente a prioridade dos seus pais e isso enche-os de segurança.

Parece fácil demais? Só experimentando e vendo os resultados se percebe que é uma matemática infalível, tipo 2+2=4. Aprendi esta técnica de comunicação parental e confesso que tento cumpri-la, embora nem sempre seja fácil. Mais: aprendi com especialistas em matérias comportamentais que podemos até sublinhar estes pequenos gestos, acentuando o que pretendemos acentuar, que é a certeza de que nada nem ninguém é mais importante que os nossos filhos! Como? Dizendo expressamente e de forma que eles possam ouvir, qualquer coisa do tipo: “desculpe, mas agora tenho que desligar porque estou a chegar a casa e os meus filhos já estão à minha espera!”.

É fácil conferir tudo isto na prática, especialmente se formos coerentes e consistentes neste pequeno-grande gesto e nos mantivermos fiéis à promessa de resistir a trocar prioridades. Posso garantir (através da minha experiência e de muitos outros pais, casados ou separados) que passado pouco tempo os filhos mais pequenos estão a fazer muito menos birras e os mais crescidos estão mais capazes de ter conversas que só temos quando há tempo e disponibilidade para as ter.”

http://observador.pt/opiniao/desculpe-mas-agora-tenho-que-desligar/ (Laurinda Alves)

E por falar em desligar telemóveis, vi este saco-cama espectacular :-))) Podem adquirir aqui

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